Nostalgia: programas que se tornaram obsoletos
Nostalgia: programas que se tornaram obsoletos
Tudo tem uma curva de vida. As coisas se superpõem, se substituem. E o cemitério digital é vasto.
Netscape, ICQ, o Yahoo que quase virou poeira, AOL, Second Life, Geocities (quem não tinha um sitezinho lá na época?)....
Alguns softwares que tiveram seu momento de glória no passado, e hoje estão no limbo:
Babylon/Power Translator Pro: Programas tradutores de idiomas eram bastante comuns antigamente. Mas tinham que ser instalados no computador, e funcionavam offline. Hoje, c/ a Internet e os softwares tradutores online, que possuem base de dados atualizada constantemente, instalar esses programas no PC se tornou uma tarefa arcaica.
eMule: Os softwares P2P (Peer to Peer - Ponto a ponto) sempre foram populares entre usuários de Internet, desde a época do pioneiro Napster, que até então só permitia a troca de arquivos de música no formato MP3. De lá p/ cá, seus sucessores evoluíram bastante, e passaram a permitir a troca de quaisquer arquivos, não estando mais limitados ao formato MP3 somente. Em meio a muitos processos judiciais por incentivo e facilitação à prática da pirataria (pelo menos esta era a alegação mais comum), muitos softwares do gênero (na verdade a maioria) acabaram parando de funcionar e saindo do ar de vez. O eMule conseguiu sair ileso, e se destacou entre seus semelhantes P2P, por ser totalmente gratuito e livre de propagandas, pela enorme quantidade de servidores, por sua agilidade nas tarefas, velocidade de download, possibilidade de interrupção e resumo de downloads, e principalmente pelas suas dezenas de milhões de usuários fiéis, plugados simultaneamente. Isso tudo deu a ele uma imensa base de dados, sendo extremamente fácil encontrar qualquer tipo de conteúdo digitalizado, e baixá-lo de maneira bem rápida. O eMule possui um sistema de créditos que compensa o usuário c/ pontos, pela quantidade de arquivos que ele disponibiliza p/ serem compartilhados via upload, e pela quantidade de downloads que os outros usuários realizam destes arquivos. Quanto mais pontos o usuário acumula, mais prioridade ele tem também na fila dos downloads, e mais rápido ele baixa arquivos. O problema de softwares P2P desta natureza, é seu funcionamento, que depende de servidores centrais p/ funcionar, facilitando assim sua localização e fechamento pela justiça, em caso de alguma violação de direitos autorais, e que venhamos e convenhamos, é uma constante hoje em dia. Outro problema é a falta de controle na disseminação de pornografia infantil, arquivos falsos, e principalmente Vírus. A configuração do eMule também é uma séria barreira p/ os que têm menos intimidade c/ a tecnologia, pois um único parâmetro informado incorretamente nas opções do programa, pode por exemplo, disponibilizar globalmente p/ upload s/ que o usuário queira ou saiba, conteúdo do computador que não deveria estar acessível p/ outras pessoas. Apesar do eMule ter sido o mais popular entre todos os programas de compartilhamento de arquivos da época, ele foi sumariamente abandonado, dando lugar ao atual Cliente Torrent, tecnologia c/ capacidade descentralizada, que não requer nenhum servidor central p/ interligar os usuários que compartilham conteúdo entre sí, e bem mais confiável e seguro. Ainda hoje, o eMule resiste bravamente, coitado, e é possível baixar em seu Site oficial, uma versão do programa, que está em constante atualização, mas que em nada lembra a verdadeira febre que ele foi em sua época de ouro, já que o número de usuários online caiu drasticamente p/ algumas centenas apenas...
Eudora/Incredimail/Thunderbird: Softwares clientes de e-mail dominavam a cena no passado, e eram a única alternativa de se enviar/receber mensagens eletrônicas, os famosos "e-mails". E-mails gratuitos também não existiam ainda. Porém, a falta de mobilidade e o risco constante de perder as mensagens por conta de uma pane na máquina onde estes programas estavam instalados, colocaram em xeque sua utilização. Hoje praticamente não se usa mais este tipo de programa p/ receber/enviar e-mails, a não ser em algumas empresas. O substituto atual é o WebMail, que fornece uma interface online p/ o acesso dos e-mails via Browser, e de qualquer lugar do mundo. Este método garante mais confiabilidade e também a mobilidade necessária ao mundo dinâmico e conectado de hoje.
GetRight: Na época da Internet discada, onde a velocidade era bem baixa e caía constantemente, o software era um grande aliado dos downloads, pois além de acelerá-los, utilizando um algorítimo que partia o arquivo em várias partes e as distribuía em diversos servidores, p/ depois juntá-las no final; também permitia a pausa e retomada do download em questão, caso a conexão caísse. Hoje, c/ a melhor qualidade e velocidade das conexões à Internet, softwares gerenciadores de download se tornaram praticamente desnecessários. O GetRight ainda existe, é pago, e pode ser baixado em seu Site oficial, mas é bem improvável que alguém ainda precise dele atualmente.
ICQ: Foi o primeiro comunicador instantâneo a surgir na Internet. De origem israelense, c/ som de abertura inconfundível e seu inesquecível ícone de florzinha animada, o ICQ foi um programa de troca de mensagens pioneiro, que na época já proporcionava comunicação em tempo real online ou offline c/ outros usuários via Internet, por teclado, microfone, audio, video, e contava ainda c/ um inédito recurso até então, que era o de transferência de arquivos entre os usuários. O ICQ se tornou rapidamente um software obrigatório nos computadores de todo internauta, e se mostrou como uma excelente, rápida e prática alternativa ao e-mail. A identificação do usuário se dava por um número de registro, ao invés de um e-mail ou nickname como acontece hoje c/ os comunicadores instantâneos atuais, e este era o seu maior empecilho, já que lembrar um número gigantesco nem sempre era muito prático na hora de compartilhar o contato c/ os amigos. Quem tinha ICQ nunca lembrava seu número de cabeça p/ passar aos outros, e quando alguém te passava o número dele, depois você nunca lembrava. Lentamente foi sendo deixado de lado por conta da adoção de outros programas de troca de mensagens, principalmente o MSN da Microsoft. O nome ICQ vem da pronúncia em Inglês das três letras, que soa da seguinte maneira: "I Seek You", ou traduzinho, "eu te busco" ou "eu te procuro". A empresa responsável pelo ICQ se chamava Mirabilis, em referência a uma flor homônima chamada "Mirabilis Jalapa", de uma única pétala colorida. É por isso que o símbolo do ICQ é aquela florzinha c/ uma pétala de cor diferente das demais. Ainda hoje é possível baixar em seu Site oficial uma versão do programa, que está em constante atualização e mantém sua característica principal de ser extremamente leve. Mas não é tão prestigiado como antigamente. Parabéns aos israelenses, que pelo menos uma vez na vida, fizeram alguma coisa boa, ao invés de só fabricarem armas de destruição em massa.
MSN: Por falar em MSN, este comunicador instantâneo da Microsoft lançado em 1999, que foi também uma febre e engoliu todos os outros programas concorrentes de troca de mensagens, acabou sendo ele mesmo engolido pelo software escandinavo de video conferências Skype, que a própria Microsoft adquiriu em 2011. O MSN tinha bons recursos, como por exemplo, chacoalhar a tela para chamar a atenção do contato, mas tinha demasiadas propagandas, o que o deixava pesado, principalmente em computadores com configurações mais "modestas" da época. Utilizar um "crack" p/ tirar estas propagandas e deixar o mensageiro leve era uma constante entre os usuários. Foi aposentado definitivamente e substituído pelo Skype em meados de 2013.
Nero: O famoso software gravador de CD's e DVD's Nero, que antigamente só tinha um rival a altura, chamado Easy CD Creator, a cada nova versão foi ganhando cada vez mais e mais recursos, ficando mais confuso e mais pesado. Por conta disso, e também pelo seu elevado preço, foi sendo colocado de lado e substituído por soluções gratuitas e leves. Já o Easy CD Creator, acabou desaparecendo do mapa, principalmente por conta de seus bugs.
Netscape: Houve uma época em que só se falava em 2 navegadores: Internet Explorer e Netscape. Era a apoteótica "Guerra dos Browsers". O Netscape era um excelente navegador. Era estável, rápido, possuía editor de HTML agregado a ele, e ainda um cliente de e-mail embutido. Mas isso não impediu que ele fosse engolido pelo Internet Explorer, browser da Microsoft (p/ variar) que vinha integrado ao Windows. O Netscape foi comprado pela AOL, e depois descontinuado. Hoje parte do seu código é utilizado no navegador Firefox, não tão bom assim...
Norton Utilities p/ DOS: A época dos digitadores de linhas intermináveis de código passou, mas num tempo em que a versão mais moderna do Sistema Operacional Windows que havia no mercado era o Windows 3.11, e problemas no software/hardware eram comuns até então, resolver as panes rotineiras que surgiam exigia ferramentas excepcionais e um profundo conhecimento do ambiente MS-DOS. A empresa Symantec, dona do primeiro Anti-Vírus do mundo, também criou a suite de programas Norton Utilities p/ MS-DOS, que se firmou na época como a melhor ferramenta de diagnóstico e correção de problemas existente, mas ao chegar em sua versão Windows, decepcionou bastante. Pesada e lenta, a versão p/ Windows também perdeu funcionalidades fundamentais ao longo do tempo, se tornando um programa obsoleto e inócuo. E o pior, muitos acusaram a Symantec de criar problemas fictícios que só seu software Norton Utilities conseguia milagrosamente "solucionar", estratégia desonesta p/ tentar justificar a aquisição de sua licença, já que o programa tinha se tornado comercial. P/ piorar ainda mais, ao ser instalado, se enraizava tanto no Sistema Operacional, que causava diversos travamentos no mesmo, e ao tentar desinstalá-lo, o Sistema Operacional por sí só ía embora junto. Lamentável... Hoje, apesar de ter pouquíssimos admiradores, a Symantec continua no mercado doméstico e empresarial, insistindo c/ suas diversas suites e aplicativos p/ soluções completas de software, hardware, Anti-Vírus, Firewall, monitoramento e etc... Mas não é nem de longe o sucesso que foi no passado.
RealPlayer: Um player entre muitos, que chegou c/ uma boa proposta, de ser um tocador universal, unificando todos os formatos de audio, video e streamming num único player, mas que ao longo das versões foi ficando cada vez mais pesado e entupido de propagandas, e no fim acabou sendo substituído, ou pelo player nativo do Windows, o Windows Media Player, ou outro player gratuito, mais compatível e mais leve, como por exemplo, o VLC Media Player.
Winamp: Na saudosa e inesquecível época do surgimento do MP3, o Winamp provou que não seria apenas outro player gratuito de música entre tantos outros, e chegou a ser o mais utilizado no mundo digital, onde se podia, claro, além de ouvir música em diversos formatos, também escutar rádios via Internet, e assistir vídeos em vários formatos, armazenados localmente e também via streaming. Tinha um ótimo equalizador integrado, fazia mixagens c/ efeitos de "crossover" nas músicas, ripava CD's de audio (era necessária uma licença paga p/ ripar CD's em alta velocidade, mas no modo free também cumpria seu papel perfeitamente), suportava skins, transparência, e possuía até mesmo um scanner de frequencia policial. Infelizmente, ao longo das versões, seus criadores retiraram alguns recursos úteis do player e o entupiram c/ outros desnecessários, tornando-o lento demais e s/ propósito (já que o básico poderia ser feito pelo player nativo do Windows, o Windows Media Player). O Winamp foi comprado pela AOL por US$ 80 milhões, e nem por isso afastou os vários rumores de que ele iria encerrar suas atividades, o que de fato nunca aconteceu. O player ainda está disponível p/ download em seu Site oficial, estacionado em sua última versão, abandonado em massa pelos seus fãs, que outrora eram uma verdadeira legião, e jamais perdoaram os deslizes dos desenvolvedores.
WinZip: O WinZip, outrora um dos mais conhecidos e utilizados compressores de arquivos, que inclusive já teve uma versão exclusiva p/ MS-DOS, c/ o passar do tempo se tornou lento, pesado, e c/ algorítimo de compressão ultrapassado. Uma versão paga ainda está disponível p/ download em seu Site oficial, mas o WinZip perdeu espaço p/ o WinRar, c/ mais compatibilidade, interface mais leve e algorítimo de compressão mais sofisticado. Os termos "zip/unzip", que são atribuídos à compressão/descompressão de arquivos, originou-se do WinZip.
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